O ministro do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro, confirmou em seu depoimento de hoje (13/6) ao Juízo da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba que jamais recebeu de Lula qualquer orientação para a cooptação de apoio parlamentar usando valores de origem ilícita e que nunca presenciou qualquer ato que pudesse indicar ter o ex-Presidente “comandado” a formação de “esquema criminoso de desvio de recursos públicos” com essa finalidade, ao contrário do que diz o Ministério Público Federal na denúncia.

Como líder do governo à época, Múcio disse que o Conselho Político então formado tinha o objetivo de reunir líderes partidários e presidentes de partido para discutir pautas de interesse do Congresso, ocasiões em que a praxe eram os registros fotográficos para dar ciência dos eventos. Essa constatação desqualifica o uso pelo ex-deputado Pedro Corrêa de fotos desses encontros para sugerir uma inexistente proximidade com Lula.

Chefe do Gabinete Pessoal da Presidência nos 8 anos do governo petista, o ex-ministro Gilberto Carvalho disse, que “sob o juramento da verdade, nunca observei Lula tratar nada além de assuntos governamentais e republicanos”. Ele afirmou que o ex-Presidente recebeu em audiência Emílio Odebrecht, assim como outros CEOs de empresas nacionais e  estrangeiras. Ressaltou que, para Lula, o setor empresarial tinha importância porque o governo buscava ampliar espaço para as empresas brasileiras no mercado interno e no exterior, aumentando, como consequência, os postos de trabalho no País.

Como regra, as pautas das reuniões eram por ele levantadas antes das audiências e levadas a Lula. No caso de Emílio Odebrecht disse que o comum era o empresário encaminhar previamente os temas que desejava tratar, “todos ligados à economia, expansão do mercado e questões próprias do desenvolvimento.” O mesmo ocorria com os demais empresários de outros setores. Disse que jamais tomou conhecimento de que o ex-Presidente tivesse credenciado qualquer pessoa para tratar de recursos com finalidade eleitoral.

Os depoimentos de hoje reforçam que o MPF questiona e busca criminalizar atos legítimos da Presidência da República e a política de governo que foi defendida e implantada pelo governo Lula, num manifesto desvirtuamento de sua função.

Cristiano Zanin Martins