Foi enfático o depoimento do ex-ministro Tarso Genro na defesa do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de sua experiência nas Pastas da Educação, Relações Institucionais e Justiça, entre outros cargos que ocupou no governo petista. Tarso Genro depôs hoje (16/02) na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba na ação do chamado triplex.

O ex- ministro declarou que – “por “honra” – Lula jamais participaria de esquema de arrecadação de propina. Afirmou que jamais teve conhecimento de qualquer ato ilegal praticado pelo ex-Presidente com o objetivo de financiar o Partido dos Trabalhadores, partidos aliados ou, ainda, para se beneficiar pessoalmente. Ele disse fundamentar suas avaliações na convivência de governo com Lula e nas orientações que recebeu do então presidente.

Tarso Genro declarou que o governo Lula estruturou a maioria parlamentar sobre uma base programática e no âmbito de um Conselho Político, institucionalizando as relações, uma experiência que reconhece como única, antecedida por algo semelhante que foi a aliança democrática de Tancredo Neves. Ele negou a tese do caixa geral de propina. Reconhece que, em uma democracia, o processo político de ocupação de cargos no governo se dá no âmbito da relação Executivo/partidos, mas as indicações não são da alçada da Presidência da República e sim dos ministérios das áreas em questão, cujo titular coteja a avaliação técnica do indicado com os representantes dos partidos da coalizão.

Outro diferencial do governo Lula, citado por Tarso Genro, foi a estruturação de um aparato para agilizar, dar independência, eficiência e maior transparência ao combate à corrupção. No governo Lula houve a efetiva criação da Controladoria Geral da União (CGU), implantação de sistemas de compliance, melhoria dos salários e das condições de trabalho da Polícia Federal, incremento na capacidade tecnológica do órgão, que passou a contar com equipamentos mais modernos. A implantação de laboratórios de combate à lavagem de dinheiro, hoje usados pelo Ministério Público, datam da era Lula, esclareceu Genro.

Esse depoimento se soma aos mais de 40 já colhidos na ação, que demonstram, sem exceção, a inocência de Lula e o caráter fantasioso da denúncia ofertada pelo Ministério Público Federal contra o ex-Presidente.

Cristiano Zanin Martins